O degrau do meio

21.09.2019

 

Muito se tem falado no mundo atual sobre a importância do autoconhecimento. Naturalmente concordamos com tudo o que tem sido dito: é básico para o equilíbrio psicológico, o desenvolvimento espiritual, o bem estar do ser humano.

 

Porém, acreditamos que o autoconhecimento não é um conceito isolado, um fim em si mesmo. Para que ele seja alcançado, há uma etapa fundamental a ser cumprida primeiro; e após atingi-lo, cabe perguntar: o que fazer com isso?

 

É, portanto, apenas o degrau do meio.

 

Antes do autoconhecimento, para que possamos nos preparar para ele, caminhar até ele, precisamos da auto-observação.

 

Olhar para si. Algo tão fácil de falar, mas que nunca nos foi ensinado. Como fazê-lo?

 

Você já se perguntou quais são seus impulsos habituais? Suas tendências? Você é capaz de prever suas reações diante de um fato qualquer?

 

Para se auto-observar é preciso se colocar em terceira pessoa. Como se fôssemos outro prestando atenção no que estamos fazendo, com senso crítico e julgamento. Não um julgamento maldoso, naturalmente, mas o mais imparcial possível: apenas se dando conta do que estamos fazendo, pensando, sentindo...

 

Um amigo meu contou-me certa vez que, em seus momentos de meditação, imagina-se atrás de sua própria cabeça, examinando os pensamentos que passam por ali. Sim, a meditação, entre outras coisas, é um bom exercício de auto-observação.

 

Melhor ainda se formos capazes de fazer este exame sem julgamento nenhum: apenas se informando.

 

Nas tradições cristãs conhece-se bem uma recomendação de Jesus: orai e vigiai. É evidente que ele não sugeria que vigiássemos o nosso vizinho. Ele estava falando de auto-observação.

 

Após um período de auto-observação – pois é claro que não é um processo rápido, imediatista, como todo exercício –, estaremos mais capacitados a nos conhecer. Prontos a prever nossos próximos passos, deduzir nossas atitudes e posturas futuras, planejar com mais precisão a realização de algum projeto íntimo. O que nos leva ao degrau seguinte: a autotransformação.

 

De que nos adiantaria conhecer melhor a nós mesmos e continuarmos sendo do mesmo jeito que sempre fomos? Como diz uma máxima bastante repetida nos dias de hoje: se continuarmos fazendo o que sempre fizemos, continuaremos obtendo o que sempre obtivemos.

 

Este talvez seja o degrau que mais demande esforço. E coragem. Determinação. É preciso encarar frente a frente a nossa sombra, nossas iniquidades disfarçadas. Atravessar a dor que isso pode causar. E decidir o que precisa ser mudado, como deve ser mudado. E colocar as mãos à obra. Enfrentando toda a resistência que surgir em nós mesmos e nos que nos circundam.

 

Isto pode receber nomes diversos: individuação, reforma íntima, ampliação da consciência, realização pessoal... meta da vida.

 

Flávio Fonseca

flaviofonsecapsi@gmail.com

 

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